A menopausa ainda é frequentemente associada apenas às ondas de calor, mas especialistas alertam que essa fase envolve uma série de mudanças físicas e emocionais que vão muito além dos sintomas mais conhecidos. Alterações no sono, no humor e até na capacidade de concentração fazem parte desse período e podem impactar diretamente a qualidade de vida das mulheres.
De acordo com o ginecologista Wallace George Viana e Silva, professor do curso de Medicina da Universidade Positivo, essas transformações estão ligadas principalmente à redução dos níveis de estrogênio no organismo. O hormônio tem papel fundamental não apenas no sistema reprodutivo, mas também no funcionamento do cérebro e de diversos outros órgãos.
“O declínio do estrogênio afeta o sistema nervoso central e está por trás de grande parte dos sintomas observados nesse período”, explica o especialista.
No Brasil, a menopausa costuma ocorrer, em média, por volta dos 47 anos. No entanto, os primeiros sinais podem surgir antes, durante a chamada perimenopausa — fase de transição em que o organismo começa a apresentar alterações hormonais progressivas.
Embora os fogachos sejam o sintoma mais popularmente reconhecido, eles não são os únicos. Entre as manifestações mais frequentes estão insônia, sono irregular, irritabilidade, ansiedade, redução da libido, ressecamento vaginal, além de mudanças no peso e na distribuição de gordura corporal. Dores musculares e articulares também podem surgir nesse período.
Segundo o médico, alguns desses sinais podem ser confundidos com outras condições. “Enquanto os fogachos e o ressecamento vaginal são mais característicos da menopausa, sintomas como ansiedade e distúrbios do sono podem ter diferentes causas, o que exige avaliação cuidadosa”, destaca.
A explicação para essas alterações passa pelo impacto hormonal sobre neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina — substâncias diretamente ligadas ao humor, ao bem-estar e à qualidade do sono. Com a oscilação desses mecanismos, é comum que a mulher enfrente maior instabilidade emocional e dificuldades cognitivas.
O funcionamento cerebral também sofre influência direta dessa queda hormonal. A regulação da temperatura corporal, por exemplo, torna-se mais instável, favorecendo os episódios de calor intenso. Já durante a noite, esses eventos podem interromper o sono repetidas vezes, resultando em cansaço e menor disposição ao longo do dia.
Diante desse cenário, a recomendação é buscar orientação médica assim que surgirem os primeiros sinais. Não é necessário aguardar a interrupção completa da menstruação para iniciar o acompanhamento.
“Ao notar mudanças no ciclo menstrual ou sintomas persistentes, é importante procurar avaliação profissional. O diagnóstico precoce ajuda a adotar estratégias que minimizam os impactos dessa fase”, orienta o especialista.
Com informação e acompanhamento adequado, é possível atravessar a menopausa de forma mais equilibrada, preservando o bem-estar físico e emocional.
Por Redação em 2 de abril, 20262



