O Coritiba Foot Ball Club manifestou oficialmente sua insatisfação em relação à data estipulada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a realização do próximo Atletiba, válido pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. A entidade máxima do futebol nacional havia agendado o clássico paranaense para uma sexta-feira, às 21h, no Estádio Couto Pereira, gerando forte repercussão negativa entre torcedores, clubes e órgãos de segurança pública do estado.
Diante do cenário, a diretoria alviverde encaminhou um pedido formal à CBF solicitando a alteração da programação da partida. O argumento central da instituição é de que o confronto de maior rivalidade do estado do Paraná precisa acontecer durante o fim de semana, preferencialmente em horários tradicionais que facilitem o deslocamento e a presença massiva das famílias no estádio.
Nota oficial e apelo pela tradição do clássico
Em sua manifestação oficial, o Coritiba destacou que o Atletiba carrega um peso histórico e uma relevância cultural imensa para o futebol brasileiro, elementos que, segundo o clube, exigem um tratamento à altura no calendário esportivo. Para a diretoria coritibana, a marcação de um jogo dessa magnitude em um dia útil e em horário avançado prejudica a experiência do torcedor.
O clube argumenta que a presença de crianças, pais, mães e idosos nas arquibancadas fica severamente comprometida com a partida marcada para uma noite de sexta-feira. A intenção do Alviverde é garantir que os torcedores de todas as idades possam comparecer ao Couto Pereira com tranquilidade, segurança e comodidade, valorizando o espetáculo esportivo em horário nobre.
Pressão do Ministério Público e debate sobre segurança
A insatisfação com a escolha da CBF não ficou restrita aos clubes e torcidas. O Ministério Público do Paraná (MP-PR), através da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba, também interveio na situação. Órgãos de proteção ao consumidor e autoridades de segurança pública demonstraram preocupação com os impactos logísticos e de ordem pública de um clássico de alta rivalidade realizado em um dia de pico de tráfego urbano.
Representantes da Promotoria realizaram uma reunião com emissários da CBF para expor os riscos e debater os direitos dos torcedores afetados pela medida. Sensibilizada com os argumentos apresentados pelo Ministério Público do Paraná, a confederação assumiu o compromisso de reavaliar a tabela e estudar a possibilidade de remanejar a data ou o horário do confronto.
Além da atuação do Ministério Público, a Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), vinculada à Polícia Civil do Paraná e representada pelo delegado Luiz Carlos de Oliveira, também criticou publicamente a escolha da data em horário pós-expediente de um dia útil. Embora tenha sinalizado que apoia eventuais demandas por mudanças feitas pelas agremiações esportivas, a delegacia esclareceu que não protocolaria um pedido direto de alteração, mas manteria o monitoramento da situação em prol da segurança dos torcedores.
Com a pressão exercida pelo Coritiba, a repercussão negativa entre os adeptos de ambas as equipes e a intervenção formal do Ministério Público, a expectativa nos bastidores do futebol paranaense é de que a CBF emita um posicionamento definitivo nos próximos dias, alterando potencialmente o dia ou o horário do clássico para atender aos pedidos de segurança e valorização do espetáculo.



