Prefeito Gustavo Botogoski adota medidas rigorosas para enfrentar queda na arrecadação municipal e garantir o fechamento do orçamento em 2026.
A queda expressiva na arrecadação do município de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, obrigou a administração municipal a adotar um rígido plano de contenção de despesas para o último trimestre de 2026. O prefeito Gustavo Botogoski (PL) confirmou uma série de medidas severas, incluindo o cancelamento de eventos festivos de fim de ano, redução de contratos públicos, cortes em horas extras, exonerações de cargos comissionados e uma reestruturação administrativa com a extinção e fusão de secretarias.
As decisões foram alinhadas durante reuniões estratégicas do núcleo duro do governo municipal. O objetivo central da gestão é diminuir o ritmo de gastos entre outubro e dezembro, assegurando que o ano fiscal seja encerrado com recursos suficientes para honrar todos os compromissos financeiros assumidos pelo Executivo.
Fim de festividades e revisão de contratos
Entre os impactos mais visíveis para a população está a suspensão do calendário de eventos do último trimestre. Festividades tradicionais de Natal, a Expofest e outras celebrações programadas para os meses finais do ano foram canceladas. A avaliação da equipe econômica é de que a realização de novos eventos representaria uma despesa imprudente diante da atual realidade financeira.
Paralelamente, o prefeito determinou uma auditoria e revisão geral nos grandes contratos mantidos pelas secretarias municipais. A orientação é para que os gestores alcancem uma redução de até 25% nos valores pactuados, sempre respeitando os limites previstos pela legislação vigente.
Corte de cargos e redução de horas extras
A máquina administrativa também passará por um processo de enxugamento no quadro de pessoal. Uma primeira leva de exonerações de cargos em comissão deve atingir pelo menos 30 postos de trabalho, com os desligamentos programados para ocorrer ao longo da semana.
No caso das horas extras, a Prefeitura já vinha adotando medidas restritivas nos meses anteriores. De acordo com o chefe do Executivo, os gastos mensais com o pagamento de horas extraordinárias, que chegaram a patamares de R$ 1,2 milhão, foram reduzidos para cerca de R$ 700 mil. A meta estabelecida para o próximo ciclo é derrubar esse montante para aproximadamente R$ 400 mil mensais.
Reestruturação administrativa na Câmara
O plano de ajuste fiscal também alcançará o organograma da Prefeitura. Gustavo Botogoski informou que enviará à Câmara Municipal um projeto de lei voltado à reestruturação das secretarias. O texto prevê a extinção da Secretaria de Políticas Públicas, além da unificação das secretarias de Administração e de Inovação e Tecnologia em uma única pasta.
A medida tem como propósito principal eliminar cargos gerenciais e comissionados vinculados às estruturas que deixarão de existir, gerando economia direta na folha de pagamento.
Comportamento das receitas e queda no ICMS
A necessidade de adotar medidas tão duras decorre do descompasso entre as receitas arrecadadas e as projeções orçamentárias iniciais para 2026. Enquanto os custos operacionais continuam crescendo, as entradas financeiras estagnaram ou apresentaram quedas significativas.
O principal fator de pressão sobre o orçamento municipal é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cujas transferências estaduais respondem por cerca de metade de toda a receita da cidade. Dados comparativos mostram que o repasse líquido recebido em agosto foi de R$ 53,9 milhões em 2024, caindo para R$ 50,2 milhões em 2025 e registrando R$ 50,4 milhões no mesmo mês de 2026.
O cenário repete-se em outras fontes cruciais para o caixa público, como o Fundo de Participação dos Municipíos (FPM), o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), royalties do petróleo, além de tributos próprios (ISS, IPTU e ITBI). Com isso, a Prefeitura precisou recalcular a rota orçamentária: a estimativa inicial de arrecadação, fixada na casa de R$ 1,9 bilhão, foi revista para aproximadamente R$ 1,7 bilhão — uma diferença negativa de quase R$ 200 milhões.
Despesas continuadas e compromissos fixos
A complexidade para administrar o orçamento reside também no volume de despesas permanentes assumidas ao longo dos anos. A folha de pagamento de servidores consome cerca de metade da receita corrente líquida e sofre reajustes automáticos decorrentes de progressões funcionais e recomposições salariais.
Outros compromissos de natureza contínua — como contratos de coleta de lixo, manutenção de serviços de saúde, educação, o Hospital Municipal e os subsídios ao transporte coletivo (que mantém a tarifa a R$ 1 com integração metropolitana) — exigem aportes constantes do Tesouro Municipal.
Além disso, o município arca mensalmente com cerca de R$ 15 milhões em obrigações previdenciárias junto ao Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA) e com quase R$ 7 milhões referentes ao pagamento de financiamentos contratados em gestões anteriores.
Diante do cenário de forte dependência de repasses externos e receitas abaixo do projetado, a administração municipal aposta na antecipação dos cortes para garantir o equilíbrio fiscal e assegurar o encerramento do exercício de 2026 com as contas rigorosamente em dia.



