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sexta-feira, outubro 16, 2026

História e devoção a Nossa Senhora Aparecida completam marcos importantes no país

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No ano de 1717, os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso navegavam pelas águas do Rio Paraíba do Sul, no estado de São Paulo. Depois de várias tentativas sem sucesso na pesca, os homens encontraram uma pequena imagem de barro que estava submersa. Ao tirá-la da água, constataram que se tratava de uma representação da Virgem Maria, especificamente da Imaculada Conceição, o que motivou o nome Aparecida.

O achado transformou-se em um marco para os pescadores, que passaram a relatar diversas graças e milagres atribuídos à intercessão da Virgem. A notoriedade da imagem cresceu rapidamente, atraindo devotos que realizavam romarias de várias regiões do Brasil. Anos mais tarde, em 1930, o papa Pio XI assinou o decreto oficial que proclamou Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

A cerimônia solene ocorreu em 1931, no Rio de Janeiro, que na época era a capital federal, reunindo cerca de 1 milhão de pessoas. Durante o evento, foi lido publicamente o decreto pontifício que declarava oficialmente a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, como a padroeira da nação brasileira. Na mesma ocasião, as bandeiras do Brasil e do Vaticano foram incorporadas ao manto que veste a imagem sagrada.

Posteriormente, em 1980, no contexto da primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil, a data de 12 de outubro foi estabelecida como feriado nacional em homenagem à padroeira. Desde então, o Santuário Nacional de Aparecida, localizado no interior do estado de São Paulo, recebe anualmente cerca de 10 milhões de peregrinos em busca de renovação espiritual e momentos de oração.

Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira (SP) e integrante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a celebração de Nossa Senhora da Conceição Aparecida vai além dos limites territoriais brasileiros, configurando-se como um marco espiritual para o catolicismo global. Em uma carta recente, o religioso enfatizou a atenção especial da santa pelos mais humildes.

“O achado da pequena imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”, pontuou o bispo.

O religioso também analisa que, no contexto da América Latina, a devoção à santa possui um significado profético e marcante. Segundo ele, o continente, marcado por desafios históricos e desigualdades sociais, encontra na figura da Virgem de barro negro uma representação autêntica da identidade da Igreja na região.

No documento redigido, dom Vilson ressalta que a imagem de Aparecida demonstra como a espiritualidade se manifesta na simplicidade. A estatueta quebrada e recolhida por trabalhadores humildes simboliza que a evangelização verdadeira está conectada à realidade e à cultura dos povos.

“Que as comunidades espalhadas por todo o Brasil e pelos países irmãos da América Latina não temam dar este passo audacioso. Diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais que marcam o nosso tempo, a Virgem Aparecida nos recorda que Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade”, concluiu o bispo emérito.

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