No início do Campeonato Brasileiro, o Coritiba exibia com orgulho a solidez defensiva que havia construído na temporada anterior. Sob o comando de Fernando Seabra, a equipe mantinha uma média elogiável de apenas 0,6 gol sofrido por partida na Série B, reflexo de um sistema compacto e eficiente. Essa segurança se traduziu inicialmente na elite do futebol nacional, fazendo com que o Coxa ostentasse, até a 13ª rodada, a quinta defesa menos vazada do torneio, acumulando somente 13 gols sofridos.
Contudo, o cenário sofreu uma reviravolta drástica nos meses seguintes. O que era um dos pontos fortes da equipe alviverde desmoronou gradativamente, transformando a retaguarda em uma das maiores preocupações do clube. Atualmente contando com Jacy e Tiago Cóser como titulares no setor defensivo, o time paranaense chega para o compromisso desta segunda-feira (26), às 19h30, diante do Grêmio, no Estádio Couto Pereira, carregando o peso de possuir a terceira pior defesa de toda a competição, com um total de 49 gols sofridos.
O momento instável é ilustrado por uma sequência negativa de seis partidas sem conseguir uma vitória sequer, encadeada com uma marca ainda mais incômoda: são 11 confrontos consecutivos em que a equipe não consegue passar irretocável, sofrendo pelo menos um tento por jogo. Para os goleiros Pedro Morisco e Pedro Rangel, a sensação de terminar uma partida sem ser superados tornou-se uma lembrança distante de exatos três meses.
A última ocasião em que o Coritiba conseguiu deixar o campo com a sua meta intacta remonta ao dia 26 de julho. Naquela oportunidade, o time ficou no empate sem gols contra o Red Bull Bragantino, atuando em Bragança Paulista, em duelo válido pela 20ª rodada. Desde então, a fragilidade defensiva ficou evidente em placares elásticos e atuações irregulares. Apenas nos últimos seis compromissos disputados, a equipe foi vazada 16 vezes, o que resulta em uma alarmante média de 2,7 gols sofridos por partida. Esse recorte recente inclui derrotas expressivas, como os reveses por 5 a 0 para o Vasco da Gama e por 4 a 0 para o Fluminense, além de três gols sofridos no tradicional clássico Atletiba.
É dentro desse panorama desafiador que o duelo contra o Grêmio ganha contornos de decisão para os rumos do clube na Série A. O Coritiba ocupa atualmente a 12ª colocação na tabela de classificação, somando 39 pontos conquistados — o que representa uma margem de seis pontos de vantagem em relação ao Corinthians, equipe que abre a zona de rebaixamento. Por outro lado, o Tricolor gaúcho atravessa uma fase delicada, figurando na 18ª posição com 31 pontos e acumulando uma sequência de sete jogos sem vencer.
Dessa forma, um triunfo no Couto Pereira tem o potencial de ser transformador para os paranaenses. Além de afastar um concorrente direto, a vitória permitiria ao Coxa abrir uma confortável distância de 11 pontos para o Z4, além de manter vivo o sonho de alcançar outras metas na tabela, restando 21 pontos em disputa até o encerramento do campeonato, conforme aponta a projeção matemática e as análises sobre a reta final do torneio, detalhadas em análises prévias sobre o impacto de um resultado positivo na tabela de classificação.
Histórico desfavorável diante do tricolor gaúcho
A missão de reabilitação, contudo, esbarra em um tabu histórico bastante significativo. O Coritiba não sabe o que é vencer o Grêmio há exatos dez anos, tendo sido superado por 1 a 0 no confronto do primeiro turno desta edição do campeonato, realizado em Porto Alegre em uma partida marcada por cartões vermelhos e decisões rígidas da arbitragem. Analisando os últimos dez encontros entre as equipes, o retrospecto aponta apenas uma vitória dos paranaenses, conquistada em 7 de setembro de 2016, quando aplicaram uma goleada por 4 a 0. Nos demais embates, o saldo é amplamente favorável aos gaúchos, que acumulam oito triunfos e um empate, resultando em um aproveitamento de 83,3% no período.
Apesar da estatística geral desfavorável, o cenário muda um pouco quando o Coritiba atua sob o apoio de sua torcida como mandante. Nos últimos dez duelos disputados em seus domínios contra o adversário sulista, o time paranaense registra cinco vitórias, dois empates e três derrotas, o que representa um aproveitamento de 56,6% em casa.
O grande obstáculo para fazer valer o fator local nesta temporada tem sido a campanha irregular do Coxa jogando em Curitiba. O clube figura atualmente entre os piores mandantes do Brasileirão, acumulando a terceira pior campanha caseira da competição, com apenas 20 pontos somados em 15 partidas disputadas diante de sua torcida. Para reverter esse quadro, a equipe precisará mudar radicalmente o desempenho nos próximos compromissos em casa, especialmente por enfrentar adversários que vêm demonstrando extrema dificuldade quando atuam longe de seus domínios.
Tanto o Grêmio quanto o Vitória, adversário que figura na sequência do calendário, ainda não conseguiram vencer nenhuma partida como visitantes nesta edição do torneio, ostentando índices de aproveitamento inferiores a 13% fora de casa. Trata-se, portanto, da oportunidade ideal para o Coritiba espantar de vez o fantasma do rebaixamento e consolidar uma campanha sólida na reta final, visando inclusive uma vaga nas competições continentais, como a Copa Sul-Americana, na temporada de 2027.


