Parte do dinheiro que deveria ser destinado às obras da Arena da Baixada foi usada pelo Atlético na aquisição de 50% dos direitos econômicos do lateral-direito Léo, revela reportagem do jornal Folha de São Paulo desta terça-feira (11). O valor de R$ 1,5 milhão foi repassado pela CAP S/A – empresa montada pelo clube para gerir a reforma do estádio para a Copa do Mundo – no dia 26 de dezembro de 2013 ao Vitória. O problema deste imbróglio é de que a empresa foi criada com o fim de ser utilizada apenas e exclusivamente para a reforma da Arena da Baixada – palco mais atrasado dentre as sedes da Copa do Mundo de 2014 e que possui recursos vindos da prefeitura e do governo.

No site da entidade, a denominação é específica, sendo criada como Sociedade para Propósitos Específicos (SPE), com participação acionária total do Atlético-PR (subsidiária total), “ficando responsável por todas as questões relacionadas a viabilidade econômica financeira da obra, administração de recebíveis, garantias para o projeto, contratação de fornecedores, responsabilidade técnica, responsabilidade comercial, civil e penal”.

Porém, mesmo com constantes reclamações de que faltava dinheiro e, principalmente por isso, existiu todo esse atraso do estádio, o Atlético-PR acabou utilizando o valor da conta da sociedade criada para gerir a obra na tentativa de comprar um jogador. A quantia transferida ao Vitória é de R$ 1,5 milhão por 50% dos direitos econômicos do atleta, que jogou por empréstimo e se destacou no time paranaense na temporada 2013. Esse valor acabou depositado para exercer o direito de compra que o Atlético-PR possuía, visando a manutenção de uma peça importante para a disputa da Copa Libertadores desta temporada.

Mesmo com essa cláusula prevista em contrato, a diretoria baiana decidiu negociar o ala com o Flamengo, vendendo o mesmo percentual por mais de R$ 2 milhões, já que o clube paranaense perdeu o prazo do depósito. Com isso, a cúpula do Atlético-PR esperava a devolução do valor, o que não aconteceu após dois meses de espera e uma negociação sem sucesso de parcelamento.

Assim, o clube paranaense entrou com uma ação na 9ª Vara de Relações Cons. Civis e Comerciais de Salvador contra o Vitória, se baseando no artigo 168 do código penal brasileiro, que considera crime “apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção” – a pena é de um a quatro anos de prisão, além de multa. O departamento jurídico atleticano pede a penhora do patrocínio da Caixa e da cota de televisão do Vitória como garantia de pagamento.

Questionado sobre a atitude do Atlético-PR em utilizar a conta da empresa gestora da obra para outros fins, o secretário estadual para assun­­tos da Copa do Mundo de 2014, Mário Celso Cunha, falou que esse departamento não é de responsabilidade dele. “Realmente, a CAP S/A foi criada com esse fim (de ser utilizada somente para recursos para a Copa do Mundo), mas apenas a Fomento pode responder sobre as cláusulas do estatuto estabelecido através dos empréstimos”, afirma.

 

Representantes do Atlético, da Prefeitura de Curitiba e do Governo do Paraná foram procurados para esclarecer o assunto, mas ninguém quis se pronunciar por enquanto.O vereador Felipe Braga Côrtes (PSDB) fez um Pedido de Informações na Câmara Municipal de Curitiba, mas o pedido oficial pode ser respondido em até 30 dias.