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O ex-ministro José Dirceu, preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, chegou à sede da Polícia Federal em Curitiba por volta das 17h30 desta terça-feira (4). A escolta que trouxe ele até a capital paranaense driblou a imprensa e os cerca de 50 manifestantes que se reuniam no bairro Santa Cândida. Dirceu foi preso na manhã de segunda-feira (3) e estava detido na Superintendência da PF em Brasília.

Entre as palavras de ordem que eram gritadas na chegada do petista estavam mensagens de apoio ao juiz Sérgio Moro, “Ladrão”, “vagabundo” e “Volta para Cuba”. Também foram estourados fogos de artifício. Ainda não há data para depoimento dele, mas a oitiva só deve ocorrer na semana que vem.

“Nós temos que fazer parte da história do país, que está mudando com esses escândalos vindos à tona e é por isso que estamos aqui. O Brasil vai ser outro depois da Operação Lava Jato”, disse Rosane Pacheco, de 71 anos.

Mais cedo, sete presos passaram por exame de corpo de delito em Curitiba. Do total, cinco foram presos preventivamente: Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de Dirceu; o ex-assessor de Dirceu Roberto Marques; Júlio Cesar dos Santos, sócio minoritário da JD Consultoria até 2013; Olavo Hourneaux de Moura Filho, acusado pela Polícia Federal de receber quase R$ 300 mil do esquema de corrupção na Petrobras para o irmão Fernando Moura. O presidente da Consist Software, Pablo Alejandro Kipersmit, também está preso preventivamente.

“Governo não interfere”

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, disse nesta terça-feira (4) que a Operação Lava Jato e a prisão do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu não afetam a credibilidade nem interferem nas atividades cotidianas do governo federal. Segundo o ministro, a prisão de Dirceu é “um fato decorrente de um processo de investigação que já vem há alguns meses”, e que por isso tem de ser tratada “com serenidade e sem qualquer tipo de interferência na nossa atividade cotidiana”.

“As autoridades do Poder Judiciário, a Polícia Federal e o Ministério Público conduzem a investigação. Cabe aos investigados tomar as providências que julgarem necessárias para se defender perante a Justiça”, disse o ministro após participar da cerimônia de lançamento do Programa Usinas Digitais.

De acordo com Berzoini, o governo nunca impediu as investigações. “Ao contrário: o governo sempre manifestou publicamente seu apoio a todo tipo de investigação”, acrescentou.

Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento