A presidente Dilma Rousseff se manifestou na tarde desta quarta-feira sobre a confirmação de que Luiz Inácio Lula da Silva será o ministro da Casa Civil. Dilma disse que a demora do ex-presidente para aceitar o cargo se deu por receio de como a situação seria tratada. A presidente ainda garantiu que Lula terá os “poderes necessários” para ajudar o País.

“Faz seis anos que tentam me separar do Lula. A minha relação com o Lula não é de poderes ou superpoderes. É uma relação sólida de quem constrói um projeto junto. O presidente Lula terá no meu governo os poderes necessários para ajudar o Brasil. Tudo que ele puder fazer para ajudar o Brasil será feito”, afirmou Dilma, que apontou a estabilidade fiscal e o controle da inflação como principais temas em que Lula poderá ajudar o governo.

“O conhecimento do presidente Lula sobre as necessidades do país, o compromisso dele com a visão estratégica, que é necessário ter para que a gente tenha o desenvolvimento em um país continental com o nosso. A experiência do presidente Lula será um grande ganho para o meu governo. Ele tem uma trajetória muito expressiva pelo seu compromisso com a estabilidade fiscal e controle da inflação. Esse compromisso que se expressa no que foi a sua atuação nos anos de governo”, apontou.

Dilma ainda aproveitou para negar que Lula queira usar parte dos 372 bilhões de dólares das reservas internacionais para investimentos. “Nós construímos essas reservas com grande esforço. Isso não é uma avaliação política, é uma constatação da realidade. Foi no meu governo e no do presidente Lula que construímos. Sabemos o papel que elas desempenham de proteção do Brasil para flutuações externas. Jamais teremos uma pauta de uso dessas reservas que não for para proteção do país para flutuações internacionais. Elas não são a forma adequada de solucionar questão de investimentos. Especulações sobre uso das reservas são apenas especulações de quem quer desestabilizar”, afirmou.

“Oposição quer colocar uma desconfiança em cima do STF?”, questiona Dilma

O fato de a nomeação como ministro garantir foro privilegiado a Lula é tratada pela oposição como uma manobra para proteger o ex-presidente das investigações da Operação Lava Jato. Indagada sobre o assunto, Dilma disse que quem levanta essa hipótese coloca uma desconfiança em cima do Superior Tribunal Federal (STF).

“Por trás de uma afirmação dessas tem a suspeita em cima do STF. O STF pode julgar e prender. É a Suprema Corte do País. A ida de um presidente, de um ministro, de um senador ou deputado não significa que ele não é investigado e sim por quem. Ele é investigado pelo Supremo. Quem julda não é um juiz de primeira ou segunda instância. É um juiz superior. A oposição quer colocar uma desconfiança em cima do STF?”, questionou.

“O STF é a Suprema Corte do País. Ele tem poder sobre a decisão de todas as outras. A diferença é ser julgado na primeira ou última instância. A troco de que vou achar que a investigação do juiz Sérgio Moro é melhor que a do Supremo? Isso é inversão de hierarquia. O judiciário brasileiro tem uma estrutura”, completou.