O morador de Araucária Rafael de Oliveira Francisco, acusa o presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Wilson Roberto David Mota (PSD), o Betão, de injúria racial durante a sessão que aconteceu na noite desta segunda-feira (16). Rafael de Oliveira Francisco, que faz parte do Movimento Cidade Símbolo, afirma que foi chamado de ‘negão’ de forma pejorativa e, na sequência, perseguido pelos assessores do comandante da Casa. O parlamentar, por sua vez, nega as acusações.

A confusão aconteceu durante sessão que votava o novo número de cargos em comissão no Poder Legislativo. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) recomendou uma readequação na Casa, diminuindo os sete cargos para cada vereador. Enquanto os parlamentares colocaram em pauta quarto cargos comissionados, os manifestantes queriam no máximo três, o que gerou uma sessão tumultuada.

Rafael afirma que estava sentado no plenário com um grupo de manifestantes e se comportava corretamente quando aconteceu a declaração do vereador, que pode ser conferida no vídeo abaixo. “Nós colocamos os rostos dos cinco componentes da mesa diretiva em notas de R$ 5, 10, 20, 50 e 100 como forma de protesto. A segurança mandou a gente tirar, e nós tiramos. Em determinado momento, ele fala a uma assessora, apontando para mim: ‘Tira uma foto daquele ‘negão’ com dinheiro na mão, pede para o Maicon tirar’”, disse Rafael.

O manifestante contou que recebeu uma ligação do vereador nesta terça-feira, mas ainda assim registrou Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil. “Sou um negro alto, mas neste caso ficou claro o deboche, porque ele não me conhece para me chamar desta forma. As ações que ele tomou conotam o crime de atitude racista. Ele me descreveu de forma pejorativa e começou a me perseguir durante a sessão. Fiquei envergonhado e constrangido com o que aconteceu”, lamentou.

Outro lado

Procurado pela Banda B, o vereador Betão garante que não ofendeu Rafael, porque não se referia a ele. “Não teve nada com o Rafael. Ele estava no plenário com outros manifestantes, tumultuando bastante, quando alguém me falou: ‘Tem um negão lá fora’. Era do lado de fora, não na Câmara, portanto não se referia e ele. A pessoa estava do lado de fora, não teria o menor sentido eu tirar foto do Rafael, uma vez que a sessão era filmada naquele momento. Nem eu sei para quem falei aquilo, porque vendi pelo preço que comprei”, garantiu.

Ao saber do BO feito por Rafael, Betão lamentou e negou novamente qualquer manifestação racista. “Eu simplesmente reproduzi aquilo que me passaram. Não falei de forma pejorativa, porque sou descendente de afrodescendente e trabalho em projetos contra o racismo. Não existe essa conotação que eles querem dar”, disse.

Ainda segundo o vereador, a acusação de uma perseguição por parte de seus assessores também é infundada. “Eu tenho uma cópia da sessão que mostra o que aconteceu e não houve nenhuma perseguição. Como presidente, precisei chamar a segurança para que tudo acontecesse sem problemas. Fiz apenas o que estava no regimento. Nada partiu de nós, é o que posso garantir”, comentou.

Por fim, o vereador informou o motivo da votação que aumentou para quatro os cargos comissionados para os vereadores. “Como presidente, não sou dono da Câmara. O Ministério Público pediu a redução de sete e isso aconteceu. Ficou um cargo comissionado e nós precisávamos refazer a votação e isso aconteceu. Definimos uma redução de R$ 16 milhões nas despesas”, concluiu.

Assista o vídeo

Fonte: Luiz Henrique de Oliveira e Geovane Barreiro – Banda B

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