“Não trocaria o Robben por nenhum jogador no planeta. Ele está fazendo uma Copa do Mundo incrível”. No que diz respeito a elogios, o de Dirk Kuyt está entre os mais entusiasmados do Brasil 2014. E, ainda que os fãs de Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo possam até discordar da primeira frase do experiente atacante holandês, a segunda é indiscutível.

Em qualquer análise, Robben vem sendo um dos jogadores excepcionais desta Copa do Mundo da FIFA. Qualquer adjetivo inferior a “incrível” minimizaria atuações que, desde o começo, vêm inspirando e impulsionando a Holanda.

Mas nem tudo está sendo um mar de rosas para os comandados de Louis van Gaal no Brasil 2014, já que a vitória sobre o México nas oitavas de final foi a terceira em que eles se viram forçados a virar o jogo. Por outro lado, sempre que as coisas se complicavam Robben apareceu, liderando os ataques holandeses com velocidade e garra e, claro, gols e passes decisivos.

A Costa Rica sem dúvida já apontou o ala do Bayern de Munique como a principal fonte de perigo para sua defesa no encontro entre as duas seleções pelas quartas de final no próximo sábado. E os centro-americanos enfrentarão um jogador que está aproveitando cada minuto de sua passagem por esta Copa do Mundo. Foi o que ele contou à FIFA.

FIFA: Que jogo aquele com o México… Como foi para você viver aquilo?
Arjen Robben: Sim, inacreditável. Logo depois do jogo, era bem difícil valorizar o que tínhamos acabado de fazer. Faltando três ou quatro minutos, estávamos fora do torneio, mas com o apito final nem precisamos da prorrogação — já tínhamos nos classificado. Dois gols em cinco minutos, que virada fantástica.

Você achava que tudo daria certo no fim?
Na verdade, não. Achei no primeiro tempo que não estávamos indo bem quando o México tinha a posse de bola, e que esse era um aspecto no qual tínhamos sido muito bons nos primeiros três jogos. Isso vai ter que melhorar contra a Costa Rica. No geral, acho que fomos melhores quando tínhamos a bola, o que é um extra. Mas eles foram um pouco melhores do que nós no primeiro tempo. Também deixamos que eles jogassem um pouco demais.

Você consegue explicar como a equipe virou a situação?
Nós mudamos de tática num determinado momento, mas acho que foi uma consequência do que as duas equipes estavam fazendo. Estávamos tentando muito marcar um gol, jogando com três atacantes no fim (e quatro às vezes), enquanto eles estavam recuando muito. Acho até que eles substituíram o atacante e começaram a jogar cada vez mais defensivamente. Então isso deu a iniciativa para nós e aproveitamos ao máximo, criando muitas chances.

Mais uma vez, as substituições tiveram um impacto positivo. Enquanto o Memphis Depay marcou nos outros jogos, desta vez foi o Klaas-Jan Huntelaar. Isso dá uma ideia da qualidade do elenco e de Louis van Gaal como técnico?
Nós temos um técnico incrível, que sabe exatamente que jogadores colocar e em qual momento, e como mudar as coisas em campo. Isso é fantástico. E, apesar de o Klass-Jan e de o Memphis terem marcado, acho que todos os jogadores que entraram como substitutos até agora tiveram uma influência positiva e fizeram um trabalho incrível. No fim, é desse tipo de força que você precisa para ganhar uma Copa do Mundo.

E quanto ao pênalti? Por que o Huntelaar cobrou?
Acho que foi uma decisão muito inteligente. De novo estamos falando de um substituto, que acabava de entrar descansado e concentrado. E, com a técnica que tem na hora de chutar, ele marca gols com muita facilidade, mesmo da marca do pênalti. Eu confiava muito nele e ele mesmo estava muito convencido (de que marcaria).

Você vem sendo fundamental em cada partida até agora e tem gente citando seu nome como possível melhor jogador do torneio. Como se sente no momento?
Eu me sinto muito forte, me sinto bem, em forma, e acho que isso é o mais importante, porque posso soltar tudo isso em campo. Estou me divertindo muito e curtindo aqui para valer. No segundo tempo (contra o México), cheguei mais na bola e consegui levar mais perigo para o adversário subindo para o ataque. É uma sensação boa. Psicologicamente eu me sinto muito bem e fisicamente eu me sinto bem forte. Estou conseguindo jogar meu futebol e fico muito feliz de que posso ajudar a equipe. Também acho que nós (os jogadores mais experientes) temos uma responsabilidade diante dos mais jovens. Estamos tentando fazê-los caminhar conosco, e acho que temos uma boa combinação de experiência e juventude neste momento. Mais uma vez: tudo que fazemos, fazemos juntos. Foi demais virar o jogo (contra o México) como equipe.

Apesar de existir um grande respeito pelo que a Holanda vem fazendo, algumas pessoas dizem que a equipe não está jogando com um típico estilo holandês. Qual é sua opinião?
É claro, estamos acostumados a jogar no 4-3-3, um futebol ofensivo com dois alas, mas também acho que é preciso olhar a qualidade do elenco. É isso que fizemos, e que o técnico fez. Conversamos muito com ele e decidimos jogar com um esquema um pouco diferente. Acho que é muito funcional; talvez não tão dominante quanto a maneira como estávamos acostumados a jogar, mas ainda assim é muito bom. Já fizemos quatro partidas e marcamos 12 gols. Acho que isso é muito positivo.

Considerando sua participação na final de 2010, você se vê como alguém que tem uma missão aqui?
Acho que temos uma missão juntos. Quando você vai para uma Copa do Mundo, não é para curtir o clima e a praia do Rio. Você vai para ganhar jogos e chegar o mais longe possível. Não acho que as expectativas fossem muito altas antes do torneio e, assim, podemos nos sentir muito orgulhosos em relação a onde estamos.

Para terminar, a Costa Rica será o adversário de vocês nas quartas de final. O que sabe sobre ela?
Acho que é uma seleção muito forte. Precisamos manter a concentração, porque a Costa Rica tem uma equipe muito boa, e já mostrou isso em seu grupo, que era muito difícil, com Itália, Inglaterra e Uruguai. Eles vêm impressionando e nós vamos ter que nos preparar muito bem se queremos ganhar.