O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender, nesta sexta-feira (13), a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após a internação do pai com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana que atinge ambos os pulmões. Durante entrevista coletiva, o parlamentar afirmou que a situação de saúde é grave e criticou a manutenção do ex-chefe do Executivo no atual regime de custódia. “Estão brincando com a vida do meu pai”, declarou.
Segundo o senador, o episódio atual é o mais delicado entre os problemas de saúde enfrentados por Bolsonaro nos últimos anos, incluindo episódios anteriores relacionados à presença de líquidos no sistema respiratório. Flávio afirmou que o quadro exige atenção médica constante e pode evoluir para uma infecção mais grave.
Na entrevista, ele reiterou o pedido para que o ex-presidente seja autorizado a cumprir a pena em regime domiciliar por razões humanitárias. De acordo com o parlamentar, Bolsonaro apresenta dificuldades em testes de equilíbrio, possivelmente associadas aos medicamentos utilizados no tratamento, o que, segundo ele, tornaria o cuidado domiciliar mais adequado, com acompanhamento de familiares e profissionais de saúde. “O local em que ele está tem piorado o estado de saúde”, afirmou.
STF mantém decisão que nega prisão domiciliar
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para cumprimento da pena em prisão domiciliar. A análise ocorreu em sessão virtual realizada na última quinta-feira (5).
Para os ministros do colegiado, as condições atuais de custódia são consideradas compatíveis com as necessidades médicas do ex-presidente, que permanece detido em uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, estrutura conhecida como “Papudinha”.
Aliados citam precedente envolvendo Collor
Aliados e familiares de Jair Bolsonaro têm mencionado, como argumento, a decisão do STF que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor de Mello em maio de 2025. Collor havia sido condenado a 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionados a irregularidades na BR Distribuidora.
Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a transferência do ex-presidente para prisão domiciliar após a comprovação de comorbidades graves e em razão da idade avançada, então de 75 anos. A decisão destacou a necessidade de conciliar a dignidade da pessoa humana e o direito à saúde com a efetividade da Justiça penal.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também se manifestou favoravelmente à medida no caso de Collor, afirmando que a concessão era excepcional e proporcional às condições de saúde e à faixa etária do ex-presidente. Segundo ele, a gravidade do quadro clínico havia sido devidamente comprovada.
Por Redação em 13 de março, 2026


