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domingo, outubro 18, 2026

Histórico eleitoral em Araucária mostra desvantagem do PT nas urnas presidenciais

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Um levantamento detalhado com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela o comportamento do eleitorado de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, nas disputas pela Presidência da República desde 1989. Os números demonstram que, ao longo de nove pleitos presidenciais diretos, o Partido dos Trabalhadores (PT) acumulou derrotas na maioria das vezes no município paranaense.

Embora a legenda tenha mantido protagonismo nas disputas nacionais no período democrático, o desempenho local nem sempre acompanhou o cenário nacional. Ao todo, os candidatos petistas saíram derrotados em seis das nove eleições realizadas até o momento na cidade, obtendo a vitória em apenas três ocasiões.

A redemocratização e o início da série

Na primeira eleição presidencial direta após o fim do regime militar, em 1989, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 47% dos votos válidos no segundo turno em Araucária. O vencedor do pleito local e nacional naquele ano foi Fernando Collor de Mello (PRN), que registrou 53% dos votos no município.

Anos mais tarde, em 1994, o cenário se repetiu com uma vantagem ainda maior para o candidato opositor. Lula obteve 31,83% dos votos válidos em Araucária, enquanto Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conquistou 50,33%. O tucano repetiu o triunfo local em 1998, quando somou 49,93% contra 39,51% do petista, garantindo a vitória ainda no primeiro turno daquele ano, que marcou a estreia da regra da reeleição para o Palácio do Planalto.

A virada e o ciclo de vitórias petistas

O panorama político em Araucária sofreu uma guinada significativa em 2002, ano em que Lula conquistou seu primeiro mandato presidencial. Naquele segundo turno, o candidato do PT atingiu 74,55% dos votos válidos na cidade, impondo uma larga vantagem sobre José Serra (PSDB), que ficou com 25,45%. Esse índice representou a maior diferença percentual registrada entre dois concorrentes em um segundo turno no município durante toda a série histórica analisada.

A hegemonia local do partido se confirmou no pleito seguinte. Em 2006, Lula garantiu novamente a maioria dos votos em Araucária com 66,58%, superando Geraldo Alckmin (PSDB), que obteve 33,42%.

A sucessão presidencial manteve a mesma tendência em 2010. Com Dilma Rousseff (PT) na cabeça de chapa, a legenda obteve 63,35% dos votos válidos no município, frente aos 36,65% destinados a José Serra (PSDB). Essa marca, contudo, encerrou o ciclo de vitórias do partido na cidade.

Três derrotas consecutivas

A partir de 2014, mesmo com a reeleição de Dilma Rousseff em âmbito nacional, o eleitorado de Araucária optou pelo adversário tucano. Aécio Neves (PSDB) venceu na cidade com 54,29% dos votos, enquanto a candidata petista registrou 45,71%.

O distanciamento entre a preferência local e a nacional se acentuou nos anos seguintes. Em 2018, Fernando Haddad (PT) obteve 34,77% dos votos no município, ao passo que Jair Bolsonaro (PSL) alcançou 65,23%, configurando uma diferença expressiva de mais de 30 pontos percentuais.

A tendência de voto na cidade permaneceu alinhada à direita nas eleições de 2022. Mesmo com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, Jair Bolsonaro, concorrendo pelo PL, obteve 54,99% dos votos válidos no segundo turno em Araucária, enquanto o candidato petista fechou com 45,01%.

O histórico construído ao longo de mais de três décadas demonstra que Araucária mantém um perfil eleitoral distinto nas disputas presidenciais, com forte competitividade da oposição aos governos petistas nas últimas urnas.

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