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sexta-feira, novembro 6, 2026

Prefeitura decreta corte de gastos para garantir serviços essenciais e economizar milhões

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Diante de uma redução expressiva nas receitas do município — estimada em R$ 175 milhões em comparação com as projeções do Plano Plurianual —, o prefeito Gustavo Botogoski assinou um decreto focado na contenção de despesas e na reorganização administrativa. A medida tem como meta gerar uma economia de R$ 13,5 milhões até o encerramento do ano. O anúncio oficial ocorreu durante uma entrevista coletiva no recém-reinaugurado Anfiteatro do Paço Municipal, reunindo jornalistas, secretários municipais, servidores e lideranças locais.

Durante a apresentação, o chefe do executivo detalhou os fatores macroeconômicos que provocaram a frustração na arrecadação municipal. Segundo dados apontados por ele e oriundos da Confederação Nacional do Comércio, o cenário de endividamento atinge boa parte das famílias brasileiras, refletindo diretamente no consumo. “É um efeito cascata: quem está endividado consome menos, o consumo menor resulta em menos vendas, menor produção e, consequentemente, queda na arrecadação”, explicou Botogoski, ressaltando o peso dessa retração em uma cidade onde quase metade da receita depende da arrecadação de ICMS.

Impacto empresarial e queda nos repasses

O prefeito também chamou a atenção para o momento delicado enfrentado pelo setor empresarial, pontuando o avanço no número de companhias em recuperação judicial. Além disso, o município registrou perdas expressivas nos repasses intergovernamentais: houve uma diminuição de R$ 40 milhões nas transferências vindas do governo estadual e de R$ 15 milhões nos recursos repassados pela União, totalizando um montante R$ 55 milhões inferior ao registrado no exercício anterior. Como reflexo desse panorama, o orçamento projetado para Araucária sofreu um encolhimento significativo, passando da estimativa inicial de R$ 1,91 bilhão para R$ 1,74 bilhão.

Raio-x das contas públicas

Ao detalhar o perfil dos gastos públicos, o prefeito comparou o volume de recursos destinados à folha de pagamento — que consome cerca de R$ 824 milhões — com o orçamento total de cidades vizinhas, exemplificando a proporção dos compromissos fixos da administração. A estrutura de despesas também abrange compromissos financeiros mensais superiores a R$ 8 milhões referentes a financiamentos herdados de administrações passadas, além de aportes de R$ 13,5 milhões por mês direcionados ao Fundo de Previdência Municipal. Outro ponto de destaque é o montante superior a R$ 100 milhões anuais empregado para subsidiar a tarifa do transporte coletivo TRIAR, mantida em R$ 1.

Apesar do cenário adverso, Botogoski pontuou avanços na infraestrutura urbana e nos serviços públicos. “Mesmo com toda essa dificuldade, conseguimos entregar 11 das 19 obras inacabadas ou suspensas na gestão anterior, como a Escola Lucy Machado, as UBSs Santa Mônica e Centro e a UBSF Alceu do Valle, por exemplo”, pontuou o prefeito durante o encontro.

Reorganização e preservação de áreas vitais

Para contornar o desequilíbrio financeiro sem comprometer o funcionamento da máquina pública, o decreto estabelece um conjunto de ações enérgicas. Entre as determinações constam a revisão contratual profunda, a reestruturação administrativa, a exoneração de ao menos 50 cargos em comissão, o controle rigoroso sobre gastos correntes não essenciais e o cancelamento formal de todos os eventos festivos previstos no calendário oficial para o restante do ano.

Apesar dos cortes, o chefe do executivo buscou tranquilizar a população quanto à manutenção das atividades fundamentais prestadas pela municipalidade. “Não é a notícia que eu gostaria de dar, mas precisamos nos adaptar à realidade. E podem ficar tranquilos, porque os serviços essenciais como Saúde, Educação, Segurança, os repasses à Previdência Municipal, a tarifa dos ônibus a R$ 1 e a coleta de lixo não serão afetados, e também não vai haver qualquer aumento dos impostos municipais”, assegurou. “Vamos cortar na carne, mas sem prejudicar o cidadão”, concluiu.

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