O Athletico Paranaense divulgou oficialmente um panorama detalhado sobre a situação financeira do financiamento da Arena da Baixada, estande de sua propriedade localizado em Curitiba. O tema voltou ao centro das discussões após repercussões recentes sobre os pagamentos e acordos firmados com a Fomento Paraná, instituição financeira que viabilizou os recursos para a modernização do local visando à Copa do Mundo de 2014.
De acordo com o comunicado emitido pela presidência e pela diretoria do clube rubro-negro, o saldo devedor total da dívida está atualmente calculado em R$ 358,2 milhões. No entanto, descontando o potencial construtivo remanescente que o clube ainda possui — avaliado em R$ 228 milhões —, o montante real que o Furacão precisará quitar diretamente com recursos próprios é de R$ 130,1 milhões. Esse valor restante será diluído ao longo das 12 parcelas anuais que ainda restam no contrato, incidindo sobre elas juros de 1,9% ao ano somados à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
Histórico de pagamentos e repactuação
A renegociação do financiamento ocorreu em julho de 2023, quando o montante foi repactuado estabelecendo um saldo inicial de R$ 590,4 milhões, divididos inicialmente em 15 parcelas anuais. Desde então, o clube tem cumprido com os aportes financeiros estabelecidos, utilizando tanto verbas correntes quanto créditos de potencial construtivo.
Logo no início da repactuação, em julho de 2023, o Athletico realizou um pagamento inicial via PIX no valor de R$ 50 milhões utilizando caixa próprio. Nos anos seguintes, novos desembarques financeiros foram efetuados:
- Em 2024, a primeira parcela foi quitada integralmente com recursos próprios, totalizando R$ 67,6 milhões.
- Em 2025, a segunda parcela alcançou R$ 67,5 milhões, sendo composta por R$ 6,9 milhões oriundos de potencial construtivo e R$ 60,6 milhões de caixa do clube.
- Já no mês de setembro, foi efetuada a quitação da terceira parcela, no valor de R$ 62,1 milhões, dividida entre R$ 21,4 milhões de potencial construtivo e R$ 40,7 milhões de recursos próprios.
Somando todas as etapas desde a repactuação, a diretoria athleticana aponta que já foram injetados aproximadamente R$ 247,2 milhões diretamente pelo clube para amortizar o compromisso financeiro.

Participação do Estado e do Município
O compromisso financeiro da Arena da Baixada é estruturado em um modelo tripartite, envolvendo o clube, o Governo do Paraná e a Prefeitura de Curitiba. As instâncias governamentais também realizaram repasses importantes para a Fomento Paraná com o objetivo de abater o saldo devedor histórico.
A administração estadual efetuou um pagamento de R$ 75,2 milhões em 2024, direcionado ao Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), conforme estipulado nas diretrizes do acordo. Por sua vez, a Prefeitura de Curitiba repassou R$ 49,3 milhões diretamente à Fomento Paraná. No total, considerando o clube e os entes públicos, os pagamentos acumulados à instituição financeira atingiram a marca de R$ 372 milhões.
Apesar da quitação de valores por parte da prefeitura municipal, a relação institucional entre o Athletico e o executivo municipal ainda enfrenta entraves burocráticos, especialmente no que tange à regularização definitiva da titularidade de três imóveis que foram desapropriados para dar espaço às obras de reforma do estádio na época do mundial de seleções.
Origem dos custos e reforma para o Mundial
Conforme dados registrados pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), o custo total da reforma da Arena da Baixada ficou na casa dos R$ 346,2 milhões, dos quais R$ 291 milhões foram injetados por meio do financiamento gerido pela Fomento Paraná.
O montante da dívida, contudo, sofreu variações expressivas ao longo dos anos devido aos encargos financeiros e acréscimos legais. Após deliberações na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para a anistia de multas e juros moratórios — que poderiam elevar a fatura total para patamares bilionários —, o formato atual garantiu a sustentabilidade do pagamento a longo prazo para o clube paranaense.


