A sucessão ao Governo do Paraná entrou em um cenário de incertezas a pouco mais de dois meses do prazo final para filiações partidárias. Movimentos ainda indefinidos dentro do PSD, partido do governador Ratinho Junior, e o bloqueio imposto pelo PP à possível candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) alteraram o tabuleiro político no campo da direita e da centro-direita.
Esse grupo político comanda o Palácio Iguaçu há mais de uma década e meia, período que engloba os mandatos de Beto Richa (PSDB) e do atual governador. Ratinho Junior, que já foi secretário na gestão tucana, desponta nacionalmente como um dos nomes cogitados para a disputa presidencial em 2026, ao lado de Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), dentro do PSD liderado por Gilberto Kassab.
No plano estadual, o PSD reúne hoje três pré-candidatos ao governo. A decisão final, porém, permanece concentrada nas mãos do governador. Nos bastidores, Ratinho Junior tem sinalizado preferência pelo secretário estadual das Cidades, Guto Silva, ainda que evite assumir publicamente essa escolha.
A indefinição gera desconforto entre os outros postulantes da legenda. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, avaliam deixar o partido caso fiquem fora da disputa. Ambos têm sido sondados por siglas do mesmo espectro ideológico. Curi construiu uma base sólida de apoio entre prefeitos, enquanto Greca carrega a experiência de três mandatos à frente da Prefeitura de Curitiba.
Integrantes do PSD avaliam que a demora na definição pode abrir espaço para o avanço de Sergio Moro, que desde as eleições municipais de 2024 se coloca como pré-candidato ao Executivo estadual. A situação do senador, no entanto, também enfrenta obstáculos relevantes.
Moro iniciou o ano sem garantia de permanência no União Brasil para disputar o governo. Isso porque lideranças do PP no Paraná anunciaram veto à sua candidatura. Em dezembro, o deputado federal Ricardo Barros declarou que o partido não pretende homologar o nome do ex-juiz. Na mesma ocasião, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, afirmou que não deve intervir na decisão regional.
O impasse ganha contornos nacionais devido à federação formada entre PP e União Brasil, a União Progressista, que exige decisões conjuntas sobre candidaturas. Dentro do PP, diferentes cenários estão em avaliação. Um deles prevê apoio ao nome que vier a ser escolhido pelo PSD. Outra possibilidade seria lançar candidatura própria, com nomes como a ex-governadora Cida Borghetti ou o ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati. Há ainda a alternativa de atrair Rafael Greca para a legenda e colocá-lo na disputa.
Moro, por sua vez, conta com respaldo do presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, mas enfrenta dificuldades para migrar para outra sigla. O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, já sinalizou que deve apoiar o candidato indicado por Ratinho Junior. O partido Novo também ensaiou uma pré-candidatura com o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, mas admite a possibilidade de aliança com o PSD.
Enquanto isso, no campo da esquerda e da centro-esquerda, o cenário está mais definido. O PT optou por apoiar a pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná. A estratégia repete o movimento adotado na eleição municipal de Curitiba, em 2024, quando os petistas abriram mão de candidatura própria para integrar uma chapa aliada.
A prioridade do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é consolidar um palanque competitivo no estado, mesmo sem protagonismo direto na cabeça de chapa. A aliança também simboliza uma reaproximação com a família Requião. Em 2022, Roberto Requião se filiou ao PT e disputou o governo estadual, mas deixou o partido no início de 2024, alegando falta de espaço após o pleito. Em julho do mesmo ano, ele e o filho migraram para o PDT, consolidando o novo projeto político.
Por Redação em 2 de fevereiro, 2026



