Com uma passagem rápida e marcante pelo Athletico, o ex-diretor de futebol Rui Costa abriu o jogo sobre os bastidores de sua convivência com o presidente Mario Celso Petraglia. O dirigente esteve no clube paranaense entre agosto de 2018 e janeiro de 2019, período em que o Furacão conquistou o título inédito da Copa Sul-Americana, mas que também ficou marcado por divergências públicas com o comando da instituição.
Apesar de ter sido chamado publicamente de “traíra” por Petraglia meses após deixar o cargo, em virtude de negociações de mercado, Rui Costa adotou um tom ponderado e reconheceu a importância do atual modelo administrativo adotado pelo clube paranaense, destacando sua independência em relação ao formato de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O legado e a transformação da gestão no Athletico
Durante a entrevista, o profissional de 55 anos ressaltou que a forma como o clube é administrado serve como referência no cenário nacional. Para ele, o impacto gerado por Mario Celso Petraglia na estrutura e no patamar competitivo do Furacão é inegável, independentemente de atritos pessoais ou profissionais que tenham ocorrido durante e após a sua saída de Curitiba.
“Como gestor, é um cara que transformou o clube, e isso é um dado de realidade que eu jamais vou sonegar, porque eu não seria o homem que sou se eu deixasse que outras coisas contaminassem essa observação de que ele transformou o clube”, declarou o dirigente.
Rui Costa também fez questão de pontuar que cumpriu suas funções com total dedicação durante o período em que esteve vinculado ao Rubro-Negro, respeitando as hierarquias e as decisões tomadas pela cúpula diretiva, mesmo quando estas resultaram em sua saída precoce do projeto esportivo.
“Eu tive uma relação profissional no Athletico, com quem dirige o Athletico, e fiz sempre o meu melhor. Entreguei profissionalmente. E saí por uma decisão que não cabia a mim, porque o cargo não é meu. O cargo é de quem comanda o clube. E tudo bem”, complementou.
Convivência desafiadora e o histórico de rusgas
O desgaste na relação entre a diretoria athleticana e o executivo veio à tona em abril de 2019, quando Rui Costa já trabalhava no Atlético-MG. Na época, Mario Celso Petraglia utilizou as redes sociais para criticar duramente a investida mineira para contratar o técnico Tiago Nunes, que havia comandado o Furacão na campanha vitoriosa da Sul-Americana.
Na ocasião, o presidente do Athletico externou sua insatisfação com a abordagem feita ao treinador. Contudo, anos depois, a perspectiva de Rui Costa sobre o período na capital paranaense permanece focada nos aspectos positivos de sua carreira e nas bases estratégicas que ajudou a consolidar, como o olhar voltado para o mercado internacional e a contratação de jogadores estrangeiros.
“É uma pessoa difícil de trabalhar porque ele tem uma visão muito clara do que ele quer fazer, mas como eu digo, eu acho que reduzir a minha passagem ao Athletico a essa relação seria diminuir o que ela teve de impacto positivo na minha carreira. Eu tive relações com muitas pessoas que foram importantes naquelas conquistas”, concluiu o ex-diretor.


