Após o resultado da sentença do ex-policial penal Jorge Guaranho – condenado a 20 anos de prisão pela morte do guarda municipal Marcelo Arruda, em 2022 -, os familiares da vítima comemoraram a decisão do júri. Para Leonardo Arruda, filho de Marcelo, a sentença vai servir de exemplo para acabar com o discurso de ódio e a violência política na sociedade brasileira.
Guaranho deve cumprir a sentença imediatamente após o julgamento, em regime inicial fechado. Ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil (divergência política) e perigo comum (tiros disparados em um ambiente com outras pessoas).
De acordo com Leonardo, desde o início do caso a família tinha plena convicção de que o Ministério Público e o corpo jurídico realizariam um trabalho impecável.
“Foram noites sem dormir, ansiedade, remédios e terapias para poder ter cabeça e chegar até aqui. Não é simplesmente o bem vencer o mal, mas sim a verdade vencer a mentira. Tentaram, fizeram de tudo, mas a verdade prevaleceu, e nesse dia 13 a condenação vai servir de exemplo para acabar com o discurso de ódio”
– disse o filho de Marcelo
Segundo Pamela Silva, viúva de Marcelo, a condenação de Jorge Guaranho mostrou que o respeito deve prevalecer independente das diferenças.
“Chegamos a um ponto em que a discordância de ideias vinculou-se à violência. A morte do Marcelo foi isso, a diferença de pensamento levou à morte do Marcelo. A gente não precisa aceitar o que o outro pensa, mas respeitar. Vamos sair daqui sem o Marcelo, mas com justiça feita”
– afirmou Pamela.
Para o assistente de acusação, Daniel Godoy, mesmo com os adiamentos para que acontecesse o julgamento, o resultado do júri demonstra que ainda que tenha sido tardio, a impunidade não vai prevalecer.
“É uma sensação triste e alegre ao mesmo tempo. Isso é uma sinalização para a sociedade de que não se pode tolerar o ódio na política, não se pode tolerar qualquer forma de discriminação”
– complementou Godoy.
O crime
Marcelo Arruda foi assassinado em sua própria festa de aniversário de 50 anos, em julho de 2022. A comemoração tinha como tema o então candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O crime ocorreu meses antes das eleições presidenciais, e Jorge Guaranho apoiava o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro. Além disso, ele teria baixado e reproduzido músicas sobre o então presidente, da campanha eleitoral de 2018, 30 segundos antes de chegar ao local.
No salão de festas, houve uma troca de tiros entre Arruda e Guaranho. Segundo apontam as investigações, o petista reagiu aos disparos após o ex-policial penal invadir a festa. Marcelo chegou a ser socorrido com vida, mas morreu durante a madrugada do dia 10 de julho.
Por Redação em 13 de fevereiro, 2025



