O Campeonato Brasileiro da Série C chega a mais um capítulo decisivo de sua história ao consagrar o seu 36º campeão nacional. A grande final da Terceirona coloca frente a frente as equipes da Ferroviária e do Maringá, que disputam a taça em um confronto eletrizante. O primeiro jogo, disputado no Estádio Willie Davids, terminou empatado, deixando a definição em aberto para o duelo de volta na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara. Em caso de nova igualdade no placar agregado, o vencedor do torneio será conhecido nas cobranças de pênaltis.
O cenário da decisão garante um feito inédito para a galeria de troféus do futebol nacional: independentemente do vencedor, a lista de campeões da Terceira Divisão passará a contar com o seu 32º clube diferente. Tanto a Ferroviária quanto o Maringá entram em campo na busca pela primeira conquista de expressão em âmbito nacional, tendo construído campanhas extremamente equilibradas e idênticas ao longo da competição, somando 41 pontos e 11 vitórias cada um.
Para o clube de Araraquara, a decisão carrega um forte sentimento de resgate histórico. Em 1994, a Ferroviária chegou muito perto da glória máxima, mas acabou perdendo a final da Série C para o Novorizontino. Por sua vez, o Maringá, fundado em 2010, vive o melhor momento de sua curta história e tenta se tornar apenas o segundo representante do estado do Paraná a faturar o título da Terceira Divisão. O único clube paranaense a levantar essa taça anteriormente foi o Operário, que venceu a competição em 2018. Outro registro histórico do estado envolve o extinto Malutrom, vencedor do Módulo Verde e Branco da Copa João Havelange no ano de 2000, equivalente à Terceirona, embora tal conquista não conte com a homologação oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Todos os campeões da Terceira Divisão
Abaixo está a relação histórica de todos os vencedores da Série C do Campeonato Brasileiro desde a sua criação:
- 1981 – Olaria (RJ)
- 1988 – União São João (SP)
- 1990 – Atlético-GO (GO)
- 1992 – Tuna Luso (PA)
- 1994 – Novorizontino (SP)
- 1995 – XV de Piracicaba (SP)
- 1996 – Vila Nova (GO)
- 1997 – Sampaio Corrêa (MA)
- 1998 – Avaí (SC)
- 1999 – Fluminense (RJ)
- 2001 – Paulista (SP)
- 2002 – Brasiliense (DF)
- 2003 – Ituano (SP)
- 2004 – União Barbarense (SP)
- 2005 – Remo (PA)
- 2006 – Criciúma (SC)
- 2007 – Bragantino (SP)
- 2008 – Atlético-GO (GO)
- 2009 – América-MG (MG)
- 2010 – ABC (RN)
- 2011 – Joinville (SC)
- 2012 – Oeste (SP)
- 2013 – Santa Cruz (PE)
- 2014 – Macaé (RJ)
- 2015 – Vila Nova (GO)
- 2016 – Boa Esporte (MG)
- 2017 – CSA (AL)
- 2018 – Operário-PR (PR)
- 2019 – Náutico (PE)
- 2020 – Vila Nova (GO)
- 2021 – Ituano (SP)
- 2022 – Mirassol (SP)
- 2023 – Amazonas (AM)
- 2024 – Volta Redonda (RJ)
- 2025 – Ponte Preta (SP)
- 2026 – Maringá (PR) ou Ferroviária (SP)
Vila Nova lidera o ranking de maiores campeões
Quando o assunto é hegemonia na Terceira Divisão, o Vila Nova aparece no topo isolado. O clube goiano é o maior vencedor da história do torneio, acumulando três títulos em sua galeria (conquistados nos anos de 1996, 2015 e 2020). Logo atrás aparecem Atlético-GO e Ituano (vencedor em 2003 e 2021), sendo estes os únicos times capazes de erguer o troféu da competição mais de uma vez.
Ao analisar o panorama geográfico das conquistas, o estado de São Paulo se destaca com enorme vantagem, acumulando 11 títulos distribuídos entre dez clubes diferentes, o que evidencia a força do futebol paulista e a hegemonia da região Sudeste. O estado de Goiás ocupa a segunda colocação geral com cinco troféus, seguido de perto pelo Rio de Janeiro, com quatro, e por Santa Catarina, com três.
A Série C também carrega a marca de ser o torneio mais instável e frequentemente interrompido na pirâmide do futebol nacional. A competição deixou de ser realizada em diversas temporadas ao longo das décadas, especificamente nos anos de 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1989, 1991, 1993 e 2000. Em 1993, por exemplo, a entidade máxima do futebol brasileiro optou pelo cancelamento tanto da segunda quanto da terceira divisão, promovendo um torneio seletivo para definir os participantes do acesso no ano seguinte. Em outras edições, o campeão foi definido através de quadrangulares finais sem a realização de uma partida única de decisão.
O formato atual da disputa, consolidado recentemente, coloca 20 equipes frente a frente em turno único durante a fase inicial. Os oito melhores colocados garantem vaga no aguardado quadrangular semifinal, dividido em dois grupos distintos. Os líderes de cada chave asseguram o acesso à Série B e avançam para a grande decisão, enquanto os segundos colocados de cada grupo também celebram a promoção de categoria. Na outra extremidade da tabela, os dois últimos colocados da primeira fase sofrem o rebaixamento para a Série D.


