O lateral-esquerdo Leonardo Derik Dias Gonçalves, mais conhecido como Léo Derik, jogador vinculado ao Athletico, foi condenado pela Justiça a uma pena de 13 anos de reclusão em regime inicial fechado. A sentença foi proferida após o atleta ser considerado culpado pela prática de dois crimes de estupro cometidos contra uma ex-ficante. O processo judicial tramita no 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, localizado em Curitiba.
A decisão da justiça paranaense foi emitida em primeira instância e pegou a defesa do atleta de surpresa. Com apenas 21 anos de idade, Léo Derik é apontado como uma das principais revelações formadas nas categorias de base do clube rubro-negro nos últimos anos, tendo acumulado passagens importantes pelas equipes de base da Seleção Brasileira.
Em sua trajetória recente com a camisa amarela, o lateral foi chamado pela primeira vez em junho de 2024 para um período de testes no time sub-20, que na época era comandado pelo técnico Ramon Menezes. O jogador estreou pela equipe nacional em um amistoso preparatório para o Sul-Americano da categoria, participando da vitória por 2 a 1 sobre o México. Embora tenha ficado de fora da competição continental oficial, ele seguiu convocado para novos amistosos e integrou o elenco do Brasil na Copa do Mundo Sub-20, realizada em setembro do ano passado.
Na competição mundial, Léo Derik foi titular nos três confrontos da Seleção Brasileira durante a fase de grupos, atuando no empate por 2 a 2 contra o México e nas derrotas por 2 a 1 para o Marrocos e por 1 a 0 para a Espanha. No entanto, com o limite de idade para o sub-20 atingido em julho deste ano, o atleta deixou de ser chamado pelo novo treinador da categoria, Paulo Victor.
No cenário de clubes, o jovem defensor ganhou oportunidades no elenco principal do Athletico ainda sob o comando de Maurício Barbieri, estreando na reta final de uma goleada por 5 a 1 sobre o Rio Branco, em janeiro, pelo Campeonato Paranaense. A afirmação na equipe principal, contudo, ocorreu após a chegada do técnico Odair Hellmann, período em que o lateral se tornou peça fundamental na campanha que garantiu o retorno do Furacão à elite do futebol nacional. Entre seus momentos de destaque no torneio, marcou um gol crucial na vitória fora de casa por 3 a 2 sobre a Chapecoense.
Apesar da sequência positiva, o jogador enfrentou problemas físicos na temporada atual após sofrer uma lesão no tornozelo em maio, o que o manteve afastado dos gramados por pouco mais de dois meses. Sua última aparição oficial ocorreu na partida em que o Athletico foi eliminado da Copa do Brasil após ser derrotado pelo Vitória por 4 a 0. No compromisso seguinte pelo Campeonato Brasileiro, uma vitória por 2 a 0 sobre o Santos, o atleta permaneceu no banco de reservas e não foi acionado.
Posicionamento da defesa e do clube
Diante da condenação, a defesa de Léo Derik manifestou forte inconformidade com o teor da sentença. Os advogados do atleta sustentam que todas as relações mantidas com a vítima foram consensuais e informaram que o jogador vai recorrer da decisão em liberdade. Em nota oficial divulgada à imprensa, a defesa destacou o estranhamento com o desfecho do julgamento de primeira instância.
“A defesa de Leonardo Derik recebeu com absoluta surpresa a condenação em primeira instância. Principalmente porque o Ministério Público, depois de ouvidas todas as testemunhas do caso, pediu sua absolvição por ausência de provas. A sentença não é definitiva. Antecipar publicamente um juízo de culpabilidade antes do julgamento dos recursos cabíveis afronta a presunção de inocência e pode produzir danos irreversíveis, mesmo diante de absolvição posterior. A defesa recorrerá ao Tribunal de Justiça do Paraná e confia no reexame do caso com costumeiro rigor técnico, de acordo com as provas produzidas nos autos”, declarou a equipe jurídica.
Por sua vez, o Athletico emitiu um comunicado oficial ressaltando que não interferirá diretamente no trâmite do processo, que corre sob segredo de justiça. O clube paranaense pontuou que respeitará as garantias legais asseguradas ao atleta até que haja um desfecho definitivo no âmbito judicial.
“O Athletico Paranaense tomou conhecimento da decisão judicial envolvendo o atleta Léo Derik. Por se tratar de processo que tramita em segredo de justiça, o Clube não comentará seu conteúdo nem os fatos nele discutidos. A decisão é de primeira instância e está sujeita a recurso. O Clube não toma parte no processo e respeitará seu regular andamento, observadas as garantias legais aplicáveis até eventual trânsito em julgado”, informou a diretoria rubro-negra em nota.



