A constância nas interrupções no fornecimento de água tem gerado indignação e protestos individuais por parte de moradores em diferentes regiões. No bairro Iguaçu, localizado no município de Araucária, um residente decidiu adotar um método rigoroso para registrar o problema e cobrar providências das autoridades e da concessionária responsável pelo serviço na área.
Eduardo Almeida, que se mudou recentemente do estado do Rio Grande do Sul para residir na Rua Londrina, em Araucária, percebeu que a frequência com que ficava sem abastecimento ultrapassava os limites do aceitável. Diante da repetição das ocorrências e da dificuldade em obter esclarecimentos rápidos, ele iniciou uma contagem detalhada de todas as vezes em que as torneiras secaram em sua residência.
Histórico de interrupções e registros detalhados
De acordo com o levantamento feito pelo morador, em um intervalo inferior a 15 meses morando no atual endereço, o serviço foi interrompido por 11 ocasiões distintas. Para ele, a repetição constante aponta para falhas estruturais que exigem uma investigação mais aprofundada por parte da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).
“Comecei a computar desde que percebi a falta de resposta da Sanepar, sempre demorando em média 48h para restabelecer o serviço. Pelo meu histórico de falta de água, é provável que tenhamos algum problema crônico”, lamenta o morador.
O diário mantido por Eduardo traz datas específicas que marcaram a ausência do recurso hídrico no imóvel: 11 de outubro de 2025, 20 de outubro de 2025, 4 de novembro de 2025, 3 de dezembro de 2025, 27 de janeiro de 2026, 1 de fevereiro de 2026, 27 de março de 2026, 18 de abril de 2026, 23 de abril de 2026, 16 de agosto de 2026 e a mais recente em 3 de setembro de 2026.
Dificuldades de comunicação e falta de avisos
Além da reincidência das paralisações, o morador aponta que a falta de comunicação prévia por parte da empresa intensifica o transtorno no cotidiano da casa. Segundo ele, as interrupções ocorrem de maneira repentina, pegando a família de surpresa e prejudicando atividades básicas do dia a dia.
Outro ponto criticado por Eduardo é a barreira nos canais de atendimento ao cliente. Ele relata que tentar solucionar a questão ou obter justificativas por meio das plataformas digitais, como o aplicativo de mensagens WhatsApp, costuma resultar em respostas automatizadas que não resolvem a demanda imediata da comunidade.
“O que mais me incomoda é que os cortes acontecem de repente, sem aviso prévio. E todos sabem que é uma dificuldade entrar em contato com a Sanepar, os canais de atendimento ao cliente não ajudam, tem sempre uma resposta de robô no WhatsApp. Já registrei várias reclamações aqui, mas temos esperança que a companhia nos dê uma resposta”, alega.
Posicionamento oficial da concessionária
Procurada para prestar esclarecimentos a respeito do caso relatado no bairro Iguaçu, a Sanepar informou que as suspensões temporárias no fornecimento decorrem, em sua maioria, de paradas eventuais necessárias para a realização de manutenções preventivas, corretivas e obras de melhoria no sistema de abastecimento da região.
A companhia destacou ainda que a legislação estadual estabelece diretrizes claras sobre a infraestrutura das edificações. Conforme determina a Resolução n° 3/2020 da Agência Reguladora do Paraná (Agepar), é obrigatório que todas as residências e imóveis conectados à rede disponham de um sistema próprio de reserva de água.
“O reservatório deve ter, no mínimo, 500 litros ou capacidade para atender o consumo de água no imóvel por 24 horas. Quem tem caixa-d’água na maioria das vezes nem percebe as paradas de manutenção”, afirma a Sanepar, reforçando a importância do equipamento para mitigar os impactos de paralisações temporárias na rede pública.
Enquanto o impasse persiste, moradores da região continuam cobrando maior transparência nos avisos de manutenção e agilidade no restabelecimento do serviço para evitar novos transtornos no abastecimento diário.


